quarta-feira, 7 de março de 2012

Música Urbana
    
     É início de tarde, a cidade retoma seu ritmo, quem compôs tal harmonia? Talvez seja improviso... 
  Os percussionistas caminham ansiosamente por sobre a construção, e as primeiras batidas já se fazem soar. São tilintares, serras e marretas, graves tambores, o sol sobe com pressa para ouvir a agitada melodia.
    Essas buzinas? Solfejando desconexas, onde está o maestro? A platéia também esta impaciente, parece em desordem, mas todos estão em suas posições. 
   E então começa tímido um cantarolo, rapidamente preenchido pelas vozes infantis, atravessando apressadas a rua em frente ao colégio. Já posso sentir a melodia, os instrumentos entram em seus tempos, deixando o eco na memória. 
   Esta música toca sempre? Receio que apenas quando me permito ouvi-la. As notas estão se enquadrando... quem está regendo? Talvez seja minha inquietude se acomodando.  A sinfonia que ouço é única, apenas minha, sinto meu pensamento agora como  parte da música. Ele define se o repertório é nostálgico ou entusiasmante, o que quero ouvir? E eu acho mesmo que sou assim ligada, mente e mundo, cidade e sensação...
Espacejar
        
          Eu decido quando acordo...

Decido se quero que toda janela se abra e o sol me abrace... Decido se quero ouvir as

         vozes do mundo, ou as vozes da minha alma.

A natureza , pura e convidativa, me questiona todas as manhãs,

        me desperta querendo saber se vou caminhar por entre as árvores, ou se vou tocar

a areia e desfrutar o mar.

          Me pergunta se quero ficar e assisti-la, ou se quero sair e sentir suas energias.  

Eu decido quando reconheço...decido se me sinto protegido, ou se me sinto liberto.
         Decido se todos esses raios de luz me enchem a mente com ideias, ou a esvaziam,
me permitindo viajar.

         Decido se isso é real, ou apenas um devaneio...