Música Urbana
É início de tarde, a cidade retoma seu ritmo, quem compôs tal harmonia? Talvez seja improviso...
Os percussionistas caminham ansiosamente por sobre a construção, e as primeiras batidas já se fazem soar. São tilintares, serras e marretas, graves tambores, o sol sobe com pressa para ouvir a agitada melodia.
Essas buzinas? Solfejando desconexas, onde está o maestro? A platéia também esta impaciente, parece em desordem, mas todos estão em suas posições.
E então começa tímido um cantarolo, rapidamente preenchido pelas vozes infantis, atravessando apressadas a rua em frente ao colégio. Já posso sentir a melodia, os instrumentos entram em seus tempos, deixando o eco na memória.
Esta música toca sempre? Receio que apenas quando me permito ouvi-la. As notas estão se enquadrando... quem está regendo? Talvez seja minha inquietude se acomodando. A sinfonia que ouço é única, apenas minha, sinto meu pensamento agora como parte da música. Ele define se o repertório é nostálgico ou entusiasmante, o que quero ouvir? E eu acho mesmo que sou assim ligada, mente e mundo, cidade e sensação...