sexta-feira, 27 de abril de 2012


Pungente Surdez

O mundo grita vivente! Mas não se pode entender mais do que poucas palavras, livres de linguagem, cheias de emoção. Por que não se conversa? A natureza grita, clama por ouvintes! Mas esse barulho, que coisa estrondosa! Não permite a ninguém ver, dialogar! Não parece errôneo julgar sociedade, se vive sozinha, nada percebe, se importa ou quer saber?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Anseio Desatento

Me tenho por um momento, desconexa, eu diria. Não me importa nenhum som junto ao meu silêncio, nenhuma imagem junto ao meu filme. Em verdade, meus olhares agora percorrem vontades com tamanha ansiedade que mal consigo organizá-las. Sou tomada por uma infinidade de sensações, por cada anseio. Que paciência me exige esperar que tudo isso, em seu tempo, me alcance. E enquanto espero, o tempo se arrasta de tal forma que a ansiedade me atropela as emoções. Seria por isso que muitos abandonam os sonhos? Talvez se concentrem tanto na vontade que acabem por não buscá-los... Uma pena.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Música Urbana
    
     É início de tarde, a cidade retoma seu ritmo, quem compôs tal harmonia? Talvez seja improviso... 
  Os percussionistas caminham ansiosamente por sobre a construção, e as primeiras batidas já se fazem soar. São tilintares, serras e marretas, graves tambores, o sol sobe com pressa para ouvir a agitada melodia.
    Essas buzinas? Solfejando desconexas, onde está o maestro? A platéia também esta impaciente, parece em desordem, mas todos estão em suas posições. 
   E então começa tímido um cantarolo, rapidamente preenchido pelas vozes infantis, atravessando apressadas a rua em frente ao colégio. Já posso sentir a melodia, os instrumentos entram em seus tempos, deixando o eco na memória. 
   Esta música toca sempre? Receio que apenas quando me permito ouvi-la. As notas estão se enquadrando... quem está regendo? Talvez seja minha inquietude se acomodando.  A sinfonia que ouço é única, apenas minha, sinto meu pensamento agora como  parte da música. Ele define se o repertório é nostálgico ou entusiasmante, o que quero ouvir? E eu acho mesmo que sou assim ligada, mente e mundo, cidade e sensação...
Espacejar
        
          Eu decido quando acordo...

Decido se quero que toda janela se abra e o sol me abrace... Decido se quero ouvir as

         vozes do mundo, ou as vozes da minha alma.

A natureza , pura e convidativa, me questiona todas as manhãs,

        me desperta querendo saber se vou caminhar por entre as árvores, ou se vou tocar

a areia e desfrutar o mar.

          Me pergunta se quero ficar e assisti-la, ou se quero sair e sentir suas energias.  

Eu decido quando reconheço...decido se me sinto protegido, ou se me sinto liberto.
         Decido se todos esses raios de luz me enchem a mente com ideias, ou a esvaziam,
me permitindo viajar.

         Decido se isso é real, ou apenas um devaneio...