sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sexta-feira, 00:17.
Durante todo o dia de hoje eu iria estudar. Não estudei, porém. Passei o dia sem fazer ‘absolutamente’ nada, apenas recapitulando tarefas, e matutando o tempo todo que eu tinha muito o que ler, que daria muito trabalho, que seria bom que eu começasse naquela hora. Bom, agora já passa de meia noite, e eu efetivamente havia sentado pra estudar. Não estudei, porém. Abri um documento em branco e cá estou, escrevendo para não começar.
Com toda certeza, todos nós agimos assim em muitas ocasiões, importantes ou não. Passamos muito do nosso tempo narrando, querendo, adiando, sofrendo por deveres e muitas vezes, a maior dificuldade está claramente é na vontade de começar. Isso é explicado até pela Física! Um corpo em repouso tende a continuar em seu estado de repouso até que haja interferência, mas também um corpo em movimento tende a continuar em movimento. Então, que nos aproveitemos da melhor face dessa história, não é mesmo?
 E se passássemos ao estado de movimento, mais do que falar o que nos aflige e reclamar o que nos compete, enfrentássemos logo de uma vez e agíssemos? Porque muito acontece de aquilo que nos atormenta “nem ser tão difícil assim”, não é? Teríamos mais tempo, me parece. Mais tempo pra relaxar de pernas pro ar, com a satisfação de alguém que cumpriu seu dever. Ou mais tempo pra fazer mais, e então crescer mais, superar limites e bom, uma coisa leva a outra e atitude e iniciativa me parecem levar bem longe.   

Vou provar interferir no meu repouso, em toda a sua conotação, me colocar logo em movimento. Não é tarde nunca, ainda que você tenha levado grande parte de uma vida assim, inerte. Se você decide interferir e passar a ter iniciativa e movimento, é lei, é Física, tudo tenderá para que o estado se mantenha. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Hoje olhei no espelho e não me vi.

Soa estranho, assim, mas foi. Olhei por longos, "longes" minutos, e na verdade, não sei se estava ali. Na hora me assustei, tentei formular perguntas que se dissiparam antes que as pudesse responder. Eu não tinha respostas, não tinha nem meu reflexo ali.
Olhei ao redor, tentando reconhecer alguma coisa, estava ali um banquinho verde, de um plástico barato, do qual me apropriei em todos os momentos que precisei pensar sozinha. Gosto dele, é um banquinho de pernas grossas, ocas e leves, mais baixo do que deveria, de um verde bandeira do qual pensei que não gostava, mas que ali, naquele cantinho inapropriado onde enrosco sempre que passo distraída, me acolheu. Aí eu me senti um pouco reconfortada, já tinha algo de meu. Caminhei para o quarto, com aquele ar de "filosofando" sem saber ao certo sobre o que. Fechei as escuras da janela, fecho todas as noites antes de dormir. Nunca tive escuras pra fechar, no começo achava incômodo até. Mas agora eu até gosto, o ar quente do quarto, e por três breves segundos o ar frio de uma noite de inverno, e é assim sempre. Só que hoje quando abri a janela, ouvi o murmúrio de uma coruja, e aqueles três segundos habituais se prolongaram por dez, até que ficou frio demais e acordei. Eu nunca tinha ouvido corujas aqui, acho até que foi um som diferente, ou talvez eu nao lembre ao certo, só daquele som de coruja feito por um pai querendo agradar. Deste lembro muito bem. A propósito, acho que por lembrar tudo, lembrar tanto, acabei esquecendo de notar um pouco mais o que me cerca. Talvez só conseguisse me ver no meu próprio espelho, com um cenário e uma história conhecidos.
Em poucos segundos tracei uma rápida retrospectiva da minha vida, e aquele sentimento de busca e curiosidade que tinha se ofuscado pela saudade, ganhou mais e mais espaço. Na verdade eu sabia o tempo todo, o que eu queria, porque cheguei aqui, o que quero com isso, mas a saudade é um bichinho tão peculiar, que nos desperta uma vontade tremenda de voltar atrás, de nos culpar por cada dia em que a sentimos, e de achar, no meio do caminho, que queremos desistir. É difícil estar sozinho, mas às vezes, uma olhada no espelho, uma olhada pra "dentro", nos traz de volta à realidade. A gente se pega pensando em tudo aquilo que deixou, e nem notamos que já estamos apegados a  coisas pequenas de uma "vida nova", um banquinho verde, um hábito qualquer. As coisas mudam tanto, muda tudo, muda toda hora, a gente tem que perceber que é passageiro,  e que se deixar passar, acabamos outra vez junto da saudade, e é sempre assim.
Minha meta de hoje é notar, me apegar ao que tenho agora, me adaptar ao que a vida me der, agregar valores, agregar lembranças. Quem sabe assim meus reflexos se tornem nítidos em qualquer espelho do mundo. Hoje eu quero assim, amanhã, amanhã não sei, talvez eu mude.

sexta-feira, 27 de abril de 2012


Pungente Surdez

O mundo grita vivente! Mas não se pode entender mais do que poucas palavras, livres de linguagem, cheias de emoção. Por que não se conversa? A natureza grita, clama por ouvintes! Mas esse barulho, que coisa estrondosa! Não permite a ninguém ver, dialogar! Não parece errôneo julgar sociedade, se vive sozinha, nada percebe, se importa ou quer saber?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Anseio Desatento

Me tenho por um momento, desconexa, eu diria. Não me importa nenhum som junto ao meu silêncio, nenhuma imagem junto ao meu filme. Em verdade, meus olhares agora percorrem vontades com tamanha ansiedade que mal consigo organizá-las. Sou tomada por uma infinidade de sensações, por cada anseio. Que paciência me exige esperar que tudo isso, em seu tempo, me alcance. E enquanto espero, o tempo se arrasta de tal forma que a ansiedade me atropela as emoções. Seria por isso que muitos abandonam os sonhos? Talvez se concentrem tanto na vontade que acabem por não buscá-los... Uma pena.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Música Urbana
    
     É início de tarde, a cidade retoma seu ritmo, quem compôs tal harmonia? Talvez seja improviso... 
  Os percussionistas caminham ansiosamente por sobre a construção, e as primeiras batidas já se fazem soar. São tilintares, serras e marretas, graves tambores, o sol sobe com pressa para ouvir a agitada melodia.
    Essas buzinas? Solfejando desconexas, onde está o maestro? A platéia também esta impaciente, parece em desordem, mas todos estão em suas posições. 
   E então começa tímido um cantarolo, rapidamente preenchido pelas vozes infantis, atravessando apressadas a rua em frente ao colégio. Já posso sentir a melodia, os instrumentos entram em seus tempos, deixando o eco na memória. 
   Esta música toca sempre? Receio que apenas quando me permito ouvi-la. As notas estão se enquadrando... quem está regendo? Talvez seja minha inquietude se acomodando.  A sinfonia que ouço é única, apenas minha, sinto meu pensamento agora como  parte da música. Ele define se o repertório é nostálgico ou entusiasmante, o que quero ouvir? E eu acho mesmo que sou assim ligada, mente e mundo, cidade e sensação...
Espacejar
        
          Eu decido quando acordo...

Decido se quero que toda janela se abra e o sol me abrace... Decido se quero ouvir as

         vozes do mundo, ou as vozes da minha alma.

A natureza , pura e convidativa, me questiona todas as manhãs,

        me desperta querendo saber se vou caminhar por entre as árvores, ou se vou tocar

a areia e desfrutar o mar.

          Me pergunta se quero ficar e assisti-la, ou se quero sair e sentir suas energias.  

Eu decido quando reconheço...decido se me sinto protegido, ou se me sinto liberto.
         Decido se todos esses raios de luz me enchem a mente com ideias, ou a esvaziam,
me permitindo viajar.

         Decido se isso é real, ou apenas um devaneio...